Nosso final?


  Eu estou encolhida no canto do sofá. Meu laptop está aberto só para fingir que estou fazendo alguma coisa, mas passo por todas as minhas páginas dos Favoritos sem ler nenhuma notícia, sem focar nenhuma imagem. Tenho os fones no ouvido, mas não ouço nada. Quero que ele pense que não estou pensando em ele, mas é mentira, ele corre pelos meus pensamentos o tempo todo. Uma feição sua atrás da outra passa pela minha mente toda vez que pisco. Posso dizer que meu coração está quebrado sem exagero, pois a única coisa que sinto é a dor que se concentra no centro do meu peito, uma dor aguda e profunda.
  Ele está bem atrás de mim. Pelo reflexo do laptop posso ver que está lendo um dos seus livros. Sua costa está apoiada contra a minha; seu peso contra o meu; e, se eu me concentrar, posso sentir sua respiração, leve e calma contra a minha, nervosa e entrecortada. Como ele consegue se manter calmo numa hora dessas? Será que ele está mesmo calmo ou ele está tão perdido quanto eu nessa história? Consigo sentir seu perfume, forte e reconhecível, igual no primeiro dia que nos conhecemos. Será que um dia pensamos que estaríamos nessa situação? Apoio a minha cabeça no sofá, ainda perdida no dia que nos conhecemos.
  Consigo ouvir a sua risada na minha mente, consigo ver seu sorriso ao pegar eu te olhando e como nossos olhares pareciam tão únicos para mim. Consigo nos ver passeando e correndo por todo o shopping, como duas crianças sem mães. Sua risada ecoa e ecoa junto da minha, e relembro cada momento em que elas se encontraram. Meu coração pula em meu peito. Meu estômago faz parecer que estou em uma constante montanha russa, e talvez eu esteja. Minha mente relembra cada carícia, cada encontro, cada olhar, cada risada compartilhada, cada dança que eu o forcei a dançar e cada conversa que já tivemos.
  De repente tudo é demais para mim, se estamos tão perto do final por quê relembrar tudo o que passamos. Abro os olhos na esperança das memória pararem e ele ainda está encostado em mim. Meus olhos seguram as lágrimas que a muito tempo querem cair e de um segundo para o outro, estou chorando silenciosamente na frente do laptop. Não consigo mais chorar escondido e sento no sofá olhando para a frente, as lágrimas quentes rolando pelo rosto, sem parar. Não há motivo para parar de chorar, depois de tudo, TUDO que passamos aqui estamos nós.
  Braços me envolvem, braços que me envolveram com carinho e ternura nos últimos 3 meses. Braços que fazem o mesmo nesse segundo, ele me puxa contra para seu peito e faz carinhos em minha pele. Não consigo parar de chorar por tudo que fomos, por tudo que somos. Não tenho coragem para olhar seu rosto, mas olho o livro que estava lendo e vejo que ainda está na mesma página que estava desde que liguei o laptop. Choro mais alto. Sabia que ele também estava incomodado, sabia que também não estava calmo com a situação. Encaro seus olhos, olham para mim com preocupação, mas também com amor, seus olhos brilham ao olhar os meus, do jeito que sempre brilhavam. Ele beija a minha testa e sussurra:
 - Não chore. Não vamos mudar nada. Somos para sempre lembra?

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