Engolida pela escuridão






















Encolhida no canto
mais enrolada do que um casulo.
É assim que ela quer estar
como um casulo;
protegida de tudo
dos sussurros,
das pessoas.

Encolhida em um canto
a menina chorava,
alguns sussurros eram altos o suficiente
para que ela ouvisse,
para que ela quebrasse.
E as lágrimas queimavam e rolavam,
eram tantas que engoliam a menina
para uma escuridão
infinita
e fria.

Na escuridão ela caia
e caia e caia
cada vez mais adentro
e só havia a escuridão,
e um sorriso brotou nos lábios da menina.
Não havia mais sussurros,
e não havia mais aqueles monstros que a perseguiam.

Dentro da escuridão,
a menina continuava a sorrir
e dentro dela,
não havia mais a vazia depressão e medo,
eles foram substituídos
pela solidão confortante.

Sem mais nada e ninguém,
somente o silêncio e a escuridão como amigos,
ela não precisava mais
curvar os lábios quando os outros precisassem
e não precisava mais
tampar os ouvidos para fugir dos sussurros.
Estava caindo em queda livre
e não havia nada mais libertador.

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