Apenas sonhando



    Estou aqui, sentada na minha carteira, quieta. Você está lá, tão longe, mas tão perto, como sempre, está fazendo algo imprudente, daquele tipo que arranca o riso de todos da classe, até a tímida menina cuja voz nunca é ouvida pode ser vista esbanjando o mais tímidos dos sorrisos. Levando o rosto e arrisco olhar para ti, parece que você também teve esse impulso porque nossos olhares se encontram e se fixam um no outro por um segundo, talvez menos, e é assim durante todos os dias, durante todas as aulas, sempre que olho para ti, você está olhando para mim, mas nunca dura mais de um, dois, três segundos, você sempre volta para o seu mundinho e eu fico rindo e rindo aqui no meu. Somos tão diferentes.
    Parte de mim agarra incontrolavelmente a uma invisível esperança, que você não é aquilo que todos dizem, não é aquilo que você mesmo diz. Que você é o doce menino que visita meus sonhos, que você é diferente de todos, que não serão apenas encontros de olhares, que você vai falar comigo um dia. Parte de mim diz e diz que você é aquele que eu acho que é, que toda a minha a minha louca desconfiança não é em vão, que a minha intuição está certa. Você finalmente senta na carteira, alguma fileiras longe da minha, mas nem mesmo as cabeças entre nós nos fazem nós não nos olharmos, repreendo a mim mesma, mas a voz em minha mente grita e grita, e olho para você novamente, seus olhos tristes me encarando, parecem até que querem me contar algo.
     Ou talvez não, talvez eu esteja inventando, sonhando alto demais, criando uma personalidade que é incompatível a você, tenho que me lembrar disso toda vez que olho em seus olhos, estou apenas sonhando, estou apenas sonhando, nada do que minha mente cria é real, nós não existimos. E se você sabe que eu estou errada, somente me diga.

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