Primeiro dia de Aula - Parte 4
























  O resto do almoço foi agradável, passei o tempo todo conversando com as minhas amigas e falávamos da antiga escola, comparávamos a antiga com a nova em todos os sentidos: ambiente, professores, pessoas, colegas de classe.... Com isso ficamos o que pareceu minutos mas foi mais uma hora conversando no restaurante.
  Voltamos para a escola e aconteceu o que sempre acontece na escola, uma foi embora para a casa, outra, depois mais uma e em menos de duas horas eu estava sozinha - na verdade tinha mais umas dez pessoas na escola, mas eu me sentia sozinha. Então fui para a biblioteca, lembro que quando estávamos vendo uma escola para eu estudar a moça me mostrou a biblioteca, na minha antiga escola não havia uma, e eu automaticamente me apaixonei por ela. A escola era grande assim como a biblioteca, deveria ter pelo menos mil livros no lugar. Meus olhos flagraram o primeiro volume de "O diário da Princesa" de Meg Cabot, peguei o livro - já tinha lido ele cinco vezes, mas não me canso do livro - e sentei em um dos pufes que havia na sala.
   Estava começando o terceiro capítulo quando ouvi a porta abrir na sala. Não levantei o olhar para ver quem era, mas pude pelo canto do olho ver que a pessoa foi para uma prateleira, pegou um livro e sentou-se no pufe que ficava a poucos metros do meu. Ficamos lá, ambos sentados, ambos consumindo algum livro. Não sei quanto tempo fiquei lá até que a pessoa comentasse:
 - Então, Luciana, gosta de ler? - A voz era inconfundível.
 Levantei o rosto do livro e o encarei, ele lia um daqueles livros grandes e não olhava para mim.
 - Esse livro na verdade é meu, mas o mantenho aqui para ninguém o roubar da minha bolsa.
 - Mas não há roubos na escola. - retruquei, sempre que ele abria a boca, eu ficava com vontade de retrucar.
 - É verdade - ele concordou.
 - Eu gosto de ler. E você Marcos?
 - Também, é como eu passo minhas noites.
 Olho com o ar confusa.
 - Você não tem cara que passa as noites lendo - minha voz é fria.
 - Isso também é verdade, mas as aparências enganam, certo?
 - Sim. - disse um pouco envergonhada. Havia julgado ele o dia todo, o estilo das roupas (todas pareciam caras), o jeito que andava (como se não ligasse sobre tudo) e o jeito que todas olhavam para ele; tudo me deu a impressão errada.
 - Não precisa ficar com vergonha, muitos pensam que não sou desse tipo: quieto, que lê livros, um nerd. Obvio, não sou um santo - ele ri- já namorei, vou ao cinema, saio com os amigos e faço bagunça, sou um adolescente.
 Deveria estar super vermelha nesse momento, obvio, ele continuava com aquele ar irritante, mas não era quem eu pensava que era. Ele chega perto de mim, e me encara.
 - Se serve de consolo também não imaginava que você lia, talvez que você desenhasse ou tocasse algo, mas ler é algo que poucos fazem. Não imaginava que você fosse teimosa ou tímida, ainda mais os dois juntos - nós dois rimos.
 - É que é tantas coisas novas - desembucho- Você parece o tipo de pessoa que vai me mostrar tudo que não conheço e, normalmente, repelo esse tipo de pessoa. Elas não gostam de mim.
 - Então não sou essas pessoas. Sinto que você é diferente de todas, você nem parece real. Talvez eu esteja dormindo, ou quem sabe você.
 - Duvido, nos sonhos nunca lembramos de como acordamos e eu lembro, foi com a minha mãe me chamando dizendo que era o primeiro dia de aula.
 Nesse momento, meu celular tocou, era meu pai, ele deveria estar na porta da escola.
 - É meu pai - mostrei o celular para ele, algo em mim confiava nele, talvez fosse o meu coração que batia e batia - tenho que ir.
 Me levantei, e Marcos também. Peguei minhas coisas, guardei o livro - não antes de memorizar a página - e fui caminhando para a porta, quando Marcos me parou.
 - Tem um filme super legal passando nos cinemas, quer ver comigo?
 - Se não viu como sabe que ele é super legal?
 - Eu li a sinopse, ué.
 Dei um risinho, fiquei na ponta dos pés e beijei na bochecha o menino que passei o dia evitando, concordei com a cabeça e fui andando para a frente da escola.
 - Como foi o primeiro dia? - meu pai perguntou assim que entrei no carro.
 - Foi fantástico, não deveria julgar tudo pela aparência. Afinal a grande e famosa escola é, na verdade, tímida, inteligente, carinhosa e que me entende. Esse ano será melhor e talvez até o melhor.
 - Parece mesmo que foi fantástico - meu pai me deu um beijinho e fomos para a casa.
 

4 comentários:

  1. Passando só pra dizer que estou acompanhado todos os capítulos!!!
    Beijos!!

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  2. Vai ter mais continuação?

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    1. Não sei.....
      Pretendo escrever mais sobre eles como casal, mas em outras ocasiões. Ou seja, continuarei com os personagens, mas com outro título e não "Primeiro dia de Aula".

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    2. Ah, sim. Obrigada!
      Gostei muito do seu blog! Parabéns! ;)

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