Catch My Breath



  Segunda de manhã, eu tenho que correr para não perder o trem, banho, maquiagem, pasta, celular, relógio, notebook, parece que o tempo passa cada vez mais rápido como se ele estivesse contra mim. Ponho minha roupa, uma camisa branca que combina com a calça da mesma cor, um lenço roxo para ter um pouco de cor e minha bolsa preta. Fico sem o café e saio correndo pela porta.
    Olho para o relógio e praguejo baixinho: perdi o trem. Vou até a beira da calçada e assovio, com sorte consigo achar um táxi vazio, na terceira tentativa eu consigo. Pulo para dentro dele antes que alguém roube ele de mim. Digo para o motorista o endereço do trabalho e mando-o pisar fundo. Em menos de quinze ele pisa no freio e eu vejo o grande prédio que sempre sonhei em trabalhar. Dou uma gorjeta para o motorista por ter me ajudado a chegar na hora e saio do carro.
    Não sou de chegar atrasada, então isso faz com que todos cochichem sobre o que me fez atrasar, alguns são até engraçados, outros são terrivelmente maldosos, mas nenhum deles me atinge, não ligo para o que falam de mim. Caminho firmemente até o meu escritório e lá me desmorono na cadeira. Me ocupo o dia todo, na esperança de esquecer e conseguir focar em algo, mas meus pensamentos sempre voltam. Quando finalmente termino a primeira tarefa do dia, olho para o relógio: 12:45; pego minha bolsa, digo para a assistente que vou sair para almoçar e ouço meu celular avisando de mensagem. Vou até o elevador e checo a mensagem lá:
Almoça comigo?
                            Aonde?
    E ele me passa um endereço que nunca vi na vida e eu corro a procura de um táxi. Novamente tive que tentar várias vezes até conseguir um e pulo novamente para dentro. Falo para o motorista o endereço e ele dirige, nesse tempo todo tento segurar meu coração para que ele não pule da minha boca. Demora pelo menos 30 minutos para chegarmos no endereço e ao chegar lá vejo um lugar que mais se parece com uma casa, alta com um estilo rústico, entro lá dentro e o garçom vem até mim:
- Posso te ajudar?
- Marcaram comigo aqui. O nome dele é Renato.
- Ah, sim. Sim, ele falou que você viria, senhorita Larissa.
   O garçom vem o gesto dele me seguir e me levou até o segundo andar do restaurante. Quando chegamos lá, ele me disse para acompanhá-lo, passamos por várias pessoas que estavam almoçando e pude notar que o restaurante cozinhava comida italiana. Depois de alguns segundos, chegamos na frente de uma porta que dava para a janela. Ele abriu e pude ver uma sacada envolvida por rosas. Sem falas, virei para o lado e vi ele, aquele que eu conheci ontem, que tinha trombado comigo, que passou a noite comigo, contando histórias e falando coisas mirabolantes. Ele se levantou e me pegou pela mão, com cuidado como se eu fosse quebrar, ele me levou a uma mesa, a única da sacada, e puxou a cadeira para que eu sentasse.
- Então - ele disse - como foi o seu dia?
- T-tudo isso, é muito lindo.
Ele dá uma risada contida.
- Que bom que gostou. Passei a manhã fazendo.
- Sério? - olhei para ele admirada
- Eu.... Mas, como foi seu dia?
- Foi normal.
- O meu foi diferente - ele diz e pisca para mim.
- Bem, eu amei. Aqui é simplesmente lindo!
- Então não conhecia o restaurante?
- Não, nunca vim para esse lado da cidade e - digo me aproximando e cochichando - eu achei que isso era uma casa.
Depois da minha confissão - que o fez rir para caramba - nós começamos a almoçar. Ele me contou que conhece o dono do restaurante, é um amigo de infância que sempre o apoiou em tudo que fazia e como agora é a vez dele em apoiar o amigo. Eu contei a minha história que era parecida com a dele, como eu queria fazer moda e minha amiga me ajudou com fotos, tecidos e tudo o que eu precisava. Não demorou muito para dar 14 horas e eu ter que voltar correndo para o escritório.
- Já vai? - ele me disse com um olhar triste.
- Infelizmente sim.
- Pobre Cinderela.
- Não diria isso, eu gosto do meu trabalho.
- Mas, daria a mim outro encontro?
- Com um imenso prazer.
 Ele chegou até a mim e me beijou, um beijo tímido com um toque de adeus, mas não seria um adeus, porque não deixaríamos ser um adeus, eu não deixaria. Ele foi carinhoso o suficiente para me levar até a calçada e chamar um táxi para mim. Quando cheguei no escritório, recebi uma mensagem:
Eu sei que pode ser cedo para falar isso, mas tenho certeza de algo sobre você.
O que?
Você é minha metade.
Algo em mim pulou de alegria, pois eu concordava, mandei para ele:
Eu sei, porque você é a minha.

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