Um dia no shopping



 Tínhamos saído em grupo. Havia sido convidada pela minha amiga para ir ao shopping junto com alguns amigos dela. Tinha vestido uma blusa vermelha que ficou quase completamente escondida pela jaqueta que combinava com o jeans, algumas pulseiras, maquiagem básica e cabelo solto, estava o mais eu possível.
 No meio dessa arrumação nem me preocupei em olhar para o relógio. Quando finalmente peguei o celular notei que estrava atrasada, 3 chamadas perdidas e 5 mensagens piscavam na tela. Corri para o ponto de ônibus, batia o pé impaciente esperando o ônibus, olhava as mensagens e via as chamadas perdidas, como era esperado todas pertenciam a minha amiga.
  Está chegando?
 Que horas você chega?
 Falta menos de 30 minutos pra gente almoçar, vai chegar ou não?
 Vai me dar bolo mesmo?
 Olha se decidi aparecer me liga.
 Re-li as mensagens várias e várias vezes, o filme começava em menos de 5 minutos. Entrei correndo no ônibus e torci para que ele andasse o mais rápido possível. Decidi responder minha amiga, não ligaria porque ela teria um chilique pelo telefone se eu ligasse, então apenas digitei: perdi a hora, estou chegando, aguenta mais um pouco.
 Quando cheguei no shopping corri direto para o restaurante e pedi pro garçom me colocar na mesa da minha amiga, Larissa. Sentei na frente de um dos amigos dela que nunca havia visto antes, tinha cabelos e olhos negros, pele branca e pálida, usava uma jaqueta de couro.
 Não demorou muito para ele notar que eu o encarava, e ele devolveu o meu olhar igualmente, parecia me observar da cabeça aos pés, quando voltou a olhar meus olhos, ele deu um sorriso que fez corar.
 - Quem é ele? - cochichei para Lari.
 - É o Daniel, da minha aula de inglês. Não conversamos muito, mas achei que seria legal trazer ele. - ela cochichou de volta.
 O resto do almoço ocorreu sem estranhezas. Mas todas às vezes que eu olhava para o Daniel, ele estava olhando para mim,  era engraçado o jeito que ele me fazia ficar, podia estar toda calma, mas só eu notar a presença dele, eu já começava a ficar nervosa e sentia meu coração bater mais rápido do que dia de corrida na escola.
 No final do passeio eu saberia que teria que voltar para casa de ônibus, minha mãe se recusava em me buscar no shopping por bobeiras como sair com os amigos, mas a chuva forte lá fora me fazia ficar, depois de um certo tempo, Larissa foi embora e eu estava sozinha no shopping até que a chuva parasse.
 Olhava a chuva passar quando Daniel apareceu no meu lado, me assustando.
 - Olá - ele disse.
 - Oi. Achei que já tivesse ido embora.
 - Não. Estou vendo a chuva passar, e você porque ainda está aqui?
 - Tenho que pegar o ônibus, mas tenho medo de algum dos carros me dar um banho se ele demorar demais.
 - Eu te acompanho, e não vou deixar ninguém te molhar.
 O certo seria recusar a companhia e ir embora de um outro jeito, mas algo me fazia confiar nele e afinal já estava escurecendo não podia esperar mais. Ele me levou até o ponto, estávamos molhados por causa da chuva e riamos um do outro, ninguém imaginaria ele rindo, mas posso assegurar é a risada mais linda que alguém poderia ter.
 O tempo passou até o ônibus chegar, foi ótimo o tempo que passamos juntos, e como havia suspeitado desde que o vira no almoço, ele era fascinante com muitas histórias para contar. Quando o ônibus chegou, ele me beijou, doce e quente, e me deixou subir no ônibus e acenou para mim da janela.
Tinha um sorriso tão grande que me deixava um pouco constrangida, mal sabia Daniel que eu me deixara tão feliz que ficaria acordada até a lua estar bem no seu ponto máximo.

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